VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?

Por Elaine Trannin

“Sim, sei sim.”

Sempre que ouço essa pergunta, penso que sei claramente com quem estou falando. Arrisco responder que é com um ser humano frágil e dominado pelo ego, tentando defender uma imagem, uma reputação, uma opinião. Alguém que acredita que, de alguma forma, merece reconhecimento dos demais, seja pelo sobrenome, pelo status, pela condição financeira, pelo cargo que ocupa, pela empresa que trabalha, pelo conhecimento que detém, pelas escolas que frequentou, pelo bairro que mora, pelos lugares que visitou.

O ego é responsável pela nossa sobrevivência no mundo e por isso, qualquer lampejo de possibilidade de sermos ultrapassados ou vencidos, faz com que ele entre em estado de alerta e se arme em posição de defesa. É um processo natural e com boas intenções, mas com sérias consequências para nós mesmos e para os que nos cercam.

Os principais efeitos em nós incluem uma postura defensiva na maior parte do tempo, uma luta para vencer a tudo e a todos, uma busca de argumentos para toda e qualquer conversa seja no ambiente profissional ou pessoal. Investimos uma grande energia para nos destacar perante os demais e assim, nos sentir aliviados com a sensação de “ok, eu venci” ou “meus argumentos foram melhores que os deles”. Além do desgaste físico, emocional e energético, essas posturas nos impedem de aprender coisas novas, de nos abrir para perspectivas diferentes e considerar pontos de vista que poderiam somar aos nossos. Sempre que achamos que temos razão, fechamos as portas para verdades desconhecidas e com isso, perdemos grandes oportunidades de evoluirmos como indivíduos.

Do ponto de vista de relacionamentos, podemos ser vistos como inflexíveis, intransigentes, os donos da verdade. Em nossas famílias e com nossos amigos, essa característica pode nos colocar distantes daqueles que amamos porque eles podem evitar iniciar alguns assuntos por saberem como vai terminar a conversa. No ambiente profissional, esse perfil pode nos trazer problemas de desempenho e impactar o trabalho em equipe, já que a tendência será a pessoa considerar somente o seu ponto de vista para tomada de decisão. Como diz o ditado, duas cabeças sempre pensam melhor que uma. No caso de líderes, é ainda mais grave porque haverá dificuldade de ouvir a equipe e dar valor as diversas opiniões de forma a construir uma solução em conjunto.

Mas, então, o que fazer para domar a insegurança trazida pelo ego que é revestida de superioridade como mecanismo de defesa?

Vejo que o ponto chave nessa questão é ampliar nosso nível de consciência de forma a percebermos nosso valor interno, independente das questões materiais, do status, dos relacionamentos, das opiniões alheias. Se olharmos pela ótica da Psicologia, sabemos que qualquer sentimento de que nos falta algo internamente, tentamos inconscientemente, recompensar com algo externo. Por outro lado, quando conseguimos desenvolver, efetivamente, uma autoconfiança verdadeira, nos ancoramos em nós mesmos, independente de todo o restante. Assim, ficamos seguros em qualquer situação e não precisamos convencer ninguém, muito menos vencer qualquer “discussão”. Pelo contrario, teremos sede de ouvir novas versões, novas ideias, novos prismas e nos transformar a partir dos encontros e das trocas. Nossa mente se abre e nossa consciência se expande quando nos abrimos para o outro, para o diferente. Novos conceitos podem surgir a partir da interação de inteligências diversas, de histórias de vida distintas. Podemos experimentar o poder da colaboração e minimizar nosso ímpeto de competição.

Isso não quer dizer deixar de colocar nosso ponto de vista. Podemos e devemos continuar sendo assertivos e nos posicionando. A diferença principal é saber ouvir os demais, entendendo que todas as opiniões e posicionamentos são igualmente válidos, independente se, na nossa opinião, temos mais conhecimento ou mais experiência que os demais. Podemos experimentar sermos surpreendidos pelos outros de forma a desconstruir nossas verdades até então absolutas e construir novas abordagens.

E essa é a magia da vida! Evolução continua e fluxos dinâmicos!

Deixo o convite para essa experimentação.

Te escuto!

Elaine Trannin
Master Coach
coach@elainetrannin.com.br
www.elainetrannin.com.br00

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