SUAS DECISÕES ESTÃO SERVINDO AO SEU BEM-ESTAR?

Por Elaine Trannin

As decisões são parte constante da nossa vida desde que nos entendemos por seres humanos. Mesmo os bebês têm uma série de decisões a serem tomadas a cada instante sempre que sentem falta de algo, quando percebem algum incômodo ou carência. Como seres únicos que somos, cada um de nós vai desenvolvendo as estratégias ao longo de nossas vidas escolhendo como vamos reagir aos acontecimentos do dia-a-dia, como vamos conseguir o que almejamos, como vamos chamar a atenção de outras pessoas e por aí vai. O que acontece é que essa estratégia desenvolvida na infância funciona tão bem que acaba nos acompanhando por toda a nossa vida, sendo que a maior parte acaba virando formas inconscientes ou automáticas de comportamento, postura e decisão.

Na fase adulta, a complexidade de nossas vidas acaba naturalmente aumentando e a estratégia de infância pode não dar conta de resolver todas as questões que se apresentam a nós, ou pelo menos, não da forma mais assertiva ou plena possível.

Para facilitar nosso entendimento dessa situação, podemos considerar um agrupamento das formas de funcionamento de nosso cérebro em “intuitivo” e “racional”.

O sistema intuitivo é rápido e automático. O sistema racional é lento e ponderado.

A divisão de trabalho entre esses “dois sistemas” é altamente eficiente, minimizando o esforço e otimizando o desempenho do nosso cérebro. Na maior parte do tempo, os resultados são satisfatórios, já que são baseados nos nossos modelos familiares, nossas experiências de vida, nossa cultura e em nossa personalidade. Nossas reações iniciais a desafios são rápidas e normalmente apropriadas.

O sistema intuitivo gera continuamente impressões, intuições, intenções e sentimentos para o sistema racional, que por sua vez, analisa e endossa ou não. Caso sejam endossadas, as nossas impressões e intuições se tornam nossas crenças, que podem ser entendidas como nossas “verdades absolutas”. Em outras palavras, são nossas verdades, ideias e pensamentos que nos dão (ou não) permissão para agir. Por sua vez, as intenções e sentimentos se tornam nossas ações e atitudes. Até aí, tudo parece funcionar bem, não é mesmo? Mas, então onde está o problema de tudo isso, se que é existe um problema?

Primeiro ponto a considerar é que a grande maioria das nossas ações e das nossas crenças é originada inconscientemente, apesar de acharmos que estamos conscientemente no comando de tudo o tempo todo. O sistema racional opera em modo de pouco esforço, no qual apenas uma fração da sua capacidade está envolvida normalmente e só é mobilizado quando o sistema intuitivo não dá conta de resolver a questão sozinho ou quando se detecta um evento que viola seu modelo de mundo.

O segundo ponto a levantarmos é o que chamamos de erro do pensamento intuitivo. Podemos entender uma determinada situação como ameaça, como afronta, podemos sentir medo, raiva, vergonha e podemos tomar uma decisão ou ter uma reação impulsiva baseado nesses sentimentos, antes mesmo de deixar esse sentimento ser analisado pelo nosso cérebro racional. Nesses casos, é comum dizermos que foi uma atitude ou resposta irracional. Considerando o funcionamento do nosso cérebro, irracional é mesmo um termo muito adequado para o que acontece na prática e a principal causa é que nosso cérebro intuitivo trabalha por associação de imagens, fatos e acontecimentos, então qualquer coisa que remeta a uma associação negativa no nosso modelo mental baseado em nossa história de vida, pode despertar sentimentos e reações negativas e intensas. Muitas vezes, acabamos nos arrependendo de muitos desses atos, porque após análise racional da situação e considerando o momento presente e não situações do passado, percebemos que não fazia sentido agir daquela forma. Interessante também perceber que o simples fato de analisar a situação ocorrida e perceber o engano, não é suficiente para nos sairmos melhor nas próximas situações, já que estamos falando de um modelo mental cristalizado há muitos anos e inacessível ao consciente em situações normais.

Para começar a trabalhar essa questão, temos que aprender a reconhecer situações que são gatilhos emocionais, situações em que os autoenganos são prováveis e nos empenharmos para segurar a impulsividade no momento que a situação ocorre de forma a dar tempo para o cérebro racional analisar o que está ocorrendo. O uso da respiração nesses casos é de extrema importância, já que leva oxigênio ao cérebro e nos acalma naturalmente, dando o tempo que precisamos para evitar a ação impulsiva direcionada pelos nossos instintos. Três ciclos de respiração profunda desde o abdômen são muito eficazes e o treino diário nos ajuda a termos isso como uma ferramenta de uso constante.

Por último, importante ressaltar como sempre é mais fácil reconhecermos os enganos das outras pessoas do que os nossos próprios enganos, logo temos que cuidar do julgamento que possamos ser inclinados a fazer, lembrando que cada um só pode evoluir se cuidar de si mesmo em primeiro lugar.

E finalizando, importante sempre perceber que nossas decisões são influenciadas por fatores pessoais, sociais, culturais, psicológicos e também pelas informações que temos disponíveis. Em cada situação, cabe refletir se estamos dando peso exagerado a um determinado fator e desconsiderado outros fatores igualmente importantes.

Nosso bem estar depende de equilibrarmos o racional e o intuitivo, dando ouvido a nossas intuições que realmente sabem quem somos e o que gostamos e também usando nossa capacidade lógica para analisar se tem sentido o que estamos inclinados a fazer e dizer.

Seja você mesmo. Todos os outros já existem.

Te escuto!

Elaine Trannin
Master Coach
coach@elainetrannin.com.br

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