PONTO DE PARTIDA E PONTO DE CHEGADA

Por Maggie João

A forma como olhamos e vemos a vida diz muito sobre nós e também sobre nosso presente e nosso futuro.

Em Medical Coaching, o acompanhamento que se dá ao cliente durante sua crise médica pode durar entre várias semanas a meses, dependendo da forma como essa parceria se vai desenrolar e também dependendo do caminho a trilhar. Um dos pontos mais importantes dessa caminhada é o ponto de chegada. Quem quero ser quando isso tudo terminar? Em que pessoa me quero tornar? O que tenho a aprender com essa situação médica que me está acontecendo? Essas são algumas das perguntas que fazemos para despertar no cliente a criação da sua visão nessa caminhada.

Saber para onde quero ir é muito importante. Muitas vezes não sabemos, mas já dizia o poeta português José Régio “não sei por onde vou, sei que não vou por ali”, e assim começamos a descobrir para onde queremos ir, começando por saber para onde não queremos ir, ou quem não queremos ser. Esses momentos são muito reveladores.

Luciane Schutte, coach brasileira e autora do livro O voo do Trapezista equipara a existência de uma crise médica ao voo de um trapezista, que está num local conhecido e que através do seu salto se lança para um mundo que não conhece. E nesse voo, por uns segundos ele fica suspenso no ar antes de aterrizar, apenas ele, suas certezas e incertezas.

Assim é quando recebemos uma notícia que não estamos à espera, ou mesmo quando estamos, sobre nosso estado de saúde: estamos num mundo conhecido que é a nossa vida e de repente somos lançados num salto para um mundo desconhecido. Quando fazemos esse salto acompanhados por um Medical Coach exploramos todos os pormenores dessa imagem: Quem está me acolhendo no mundo desconhecido, assim que eu aterrizar? Quem ou o que representa a minha rede de segurança lá em baixo? Quem quero ser após esse voo? De que jeito me vou olhar no espelho durante o voo e após o voo? Que certezas me vão ajudar nesse momento em que estou só eu suspenso no ar?

Como o trapezista não se lança nesse voo com uma mochila em suas costas repleta de pedras, também nós numa situação de crise, teremos de rever que crenças nos vão ajudar nesse salto e que crenças nos vão limitar. Antes mesmo de levantarmos voo, também há relevância em saber caracterizar nosso ponto de partida, a forma como vemos o que nos está acontecendo ou nos aconteceu. Nesse momento atual da sociedade, fala-se muito de diagnósticos, quase dando a entender que a doença surgiu faz pouco tempo nas nossas vidas. Porém, há inúmeras pessoas que sofrem de doenças crônicas e degenerativas e todos os dias vivem com essa realidade.

Para muitos uma doença, doença crônica ou uma crise médica pode ser vista de várias formas:

  • Um evento dramático que impacta todas as áreas da minha vida
  • Um evento dramático que impacta a minha família e a minha comunidade
  • Um choque (físico, mental e/ou emocional)
  • Uma experiência de grande perda
  • Uma caminhada da alma
  • Time out
  • Um erro biológico ou uma mal-formação do corpo
  • Uma experiência de traição do nosso corpo
  • Karma
  • Um desequilíbrio físico
  • Um desequilíbrio interno (emocional, energético, stress)

A forma como nós vemos nossa doença, mostra um pouco como vemos o mundo, como nos relacionamos com o que me rodeia, como nos colocamos sob pressão.

Perceber esse ponto de partida vai ajudar a compreender qual a melhor forma de fazer essa caminhada, que ferramentas levar, que caminhos explorar, que ângulos rever, para que crie a sua visão de si assim que aterrizar no mundo desconhecido, que entretanto aprendeu a moldar de forma que a imagem que vê refletida no espelho o complete.

Responda você mesmo à pergunta: pense no processo médico que está passando, como paciente ou como cuidador e escolha a forma como o encara. Qual das alíneas acima escolheria para descrever sua situação.

Só aí, nessa escolha, já começou sua caminhada para atingir quem quer ser e quem merece ser.

Se e quando precisar de mim, já sabe onde me encontrar. Estou à distância de um click =)

Maggie João é coach especializada em Medical Coaching, uma área que a fascina e na qual quer contribuir para um mundo melhor. É credenciada pela ICF e pelo EMCC com o grau de PCC e EIA, respectivamente. Com uma carreira de 20 anos, Maggie conjuga as competências e compreensão do Coaching com o pragmatismo da Engenharia. Escreveu 13 livros sobre Coaching, em português, inglês e espanhol, o que a torna a coach portuguesa com mais livros escritos sobre esta matéria.  Viveu em 12 países o que lhe dá uma ampla experiência cultural e uma perspectiva bastante alargada sobre Coaching a nível mundial.  Também é supervisora e mentora de coaches facilitando a sua melhoria contínua e as aprendizagens ao longo do processo de desenvolvimento de cada profissional.

Pode contactá-la através do seu site www.maggiejoao-coaching.com ou via email maggie.joao@maggiejoao-coaching.com

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