“PENSO, LOGO EXISTO”. SERÁ?

Por Elaine Trannin

Até os anos 1.500, tínhamos uma visão orgânica do mundo, chamávamos nosso planeta de Mãe Terra e nossas necessidades individuais eram subordinadas às necessidades da comunidade. Nessa época, Idade Média ou Medieval, a ciência era baseada na razão e na fé com a principal finalidade de entender o universo e não tínhamos nenhuma pretensão de controlar ou fazer previsões. A estrutura científica estava apoiada em Aristóteles e na Igreja.

A tomada de Constantinopla em 1.453 inaugura o inicio da Idade Moderna e com ela, uma mudança radical na forma de vermos o mundo.  Entramos na Idade da Revolução Científica e nomes como Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Isaac Newton, Francis Bacon, Johannes Kepler e René Descartes iriam ficar gravados para sempre na nossa história.

Começando com Copérnico, em 1543, sua Teoria Heliocêntrica propôs que a Terra não era o centro do Universo como tinha postulado Aristóteles em 350 a.C na Grécia antiga. Temendo ser condenado por heresia pela Igreja Católica só autorizou a divulgação de sua teoria após a sua morte.

Bacon, na sequência, considerado o fundador da Ciência Moderna, postula seu método empírico, uma metodologia indutiva de investigação científica. Ele considerava a ciência como um instrumento prático para controle da natureza e a partir de Bacon, a Terra deixa de ser considerada uma mãe e passa a ser uma fonte de extração para os cientistas, cujo maior objetivo é extrair todos os seus segredos.

Então temos Galilei e sua validação da Teoria Heliocêntrica de Copérnico. Ele foi o primeiro a combinar a experimentação científica com a matemática para formular as leis da natureza e desde o século XVII, essa combinação tornou-se característica dominante da ciência. A Terra passa a ser vista como uma máquina que pode ser descrita por formas, quantidades e movimento. Som, sabor, cor e cheiro passam a ser considerados projeções mentais subjetivas. Não se considera mais sentimentos, motivos, intenções, alma e consciência; entramos em uma obsessão por medição e quantificação.

Continuando, temos Descartes, o fundador da filosofia moderna, que nos diz que teve uma visão iluminada e divina aos 23 anos de uma ciência que resolveria e explicaria tudo. Considerado o pai do racionalismo, postulou que a dúvida é o primeiro passo para se chegar ao conhecimento e portanto, só pode existir aquilo que puder ser provado, ao contrário dos gregos que acreditavam que as coisas existem porque têm que existir.

“Não admito como verdadeiro o que não possa ser deduzido com a clareza de uma demonstração matemática.”

Em seu Discurso sobre o Método, nos traz as bases da ciência contemporânea: verificar, analisar, sintetizar e enumerar as conclusões. Dividia a realidade entre mente e matéria e acreditava que Deus tinha criado o universo como um perfeito mecanismo de movimento de acordo com as leis mecânicas que funcionava de forma determinada e sem intervenções. Não havia propósito, vida ou espiritualidade na matéria.

“Não há nada no conceito de corpo que pertença à mente e nada na ideia de mente que pertença ao corpo.”

Com a frase acima, influenciou profundamente a Medicina e a Psicologia e o resultado foi termos Médicos focados somente nos limites do corpo e Psicólogos restritos à análise da mente. Considerava-se que a soma das partes era igual ao todo, ignorando qualquer possível interação entre essas duas dimensões.

“Considero o corpo humano uma máquina. Meu pensamento […] compara um homem doente e um relógio mal fabricado com a ideia de um homem saudável e um relógio bem feito.”

Por fim, temos Newton que foi quem deu realidade ao sonho cartesiano, desenvolvendo uma completa formulação matemática da concepção mecanicista da natureza. Sintetizou as obras de Copérnico, Kepler, Bacon, Galileu e Descartes. Suas formulações são a base da Mecânica Clássica válidas até hoje.

E, então, o que podemos concluir desse breve histórico?

Penso em pelo menos duas linhas básicas para começarmos a reflexão.

Primeiro, que temos que honrar esses gênios da matemática, da física e das ciências que nos trouxeram uma revolução científica sem precedentes e nossas invenções posteriores foram possíveis graças a qualidade do conhecimento deixada por eles.

Segundo, podemos pensar no que foi o “Erro de Descartes”: crença na certeza do pensamento científico e que essa seria a única forma de entendermos o universo. Esse cientificismo gerou um grande desequilíbrio que nos impacta até os dias atuais, levando o homem a fragmentar-se esquecendo que se trata, ao mesmo tempo, de um ser mental, emocional, instintivo e espiritual.  Além disso, nos desconectou dos ciclos naturais do universo, nos levou a um consumismo exagerado dos recursos naturais, a maus tratos com nossa Mãe Terra, a uma supervalorização do mental e um desprezo dos sentimentos e instintos, além de uma banalização da nossa parte espiritual.

Nosso desafio é reintegrar essas partes e ampliarmos nossa visão de forma a compreender as infinitas interações entre cada uma dessas dimensões e também nos vermos como parte de um todo universal. Só assim, poderemos evoluir como seres humanos, buscando nessa inteireza, a real felicidade, plenitude, paz de espírito e realização de propósito de vida.

Te escuto!

Elaine Trannin
Master Coach
coach@elainetrannin.com.br

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