O INDESCRITÍVEL PRAZER DE FACILITAR O DESENVOLVIMENTO DO OUTRO

Por Beatriz Pinheiro

Quando me perguntam, num momento de trabalho, “qual é sua principal característica”, minha resposta não muda: sou apaixonada pelo Ser Humano, por todas as suas possibilidades, capacidades e talentos. Muitos se assustam com minha resposta, especialmente neste momento, no Brasil e no mundo, em que está muito difícil encontrarmos situações, envolvendo os seres humanos, dignas da paixão de qualquer um.

Claro que a mídia nos leva mais para o que é ruim do que para o que é bom e construtivo. A cultura, as artes, a música e tantas propostas criativas aí estão, a cada dia, para nos mostrar novas possibilidades.

Mas, ser Humano é isto e muito mais, com suas facilidades e dificuldades, alegrias e dores, evolução e involução, abertura para uma reflexão mais universal ou fechamento total dentro de uma pequena caixa que não deixa ver nada fora, nem além de si mesmo(a), pessoa integrada ou sem integração nas suas instâncias física, emocional e intelectual, espiritualizada ou não, vinda das mais diferentes culturas, raças, cores, religiões ou simplesmente ateia, estudada ou simplesmente carregando tudo que a experiência de viver lhe ensinou, pessoas boas ou más, éticas ou corruptas, saudáveis ou drogadas, cuidadosas com os outros ou totalmente egoístas, voltadas para si mesmas, disponíveis aos outros ou tentando todo o tempo tirar delas qualquer coisa, inclusive a vida. Tudo isto e mais é o mistério do Ser.

Não é fácil presenciarmos a degradação do Ser Humano, cenas de violência, sadismo, agressividade, injustiça, desigualdades e preconceitos, fraqueza e desespero que estão à nossa volta. Mas também não podemos fechar os olhos e fingir que nada está acontecendo.

Entretanto, há também aqueles que, mesmo em épocas tão complicadas como esta, buscam se descobrir como pessoas, conhecer-se mais e desenvolver ao máximo suas capacidades de seres humanos, mergulhar nas infinitas possibilidades que cada um de nós possui, individualmente, fazendo com que sejamos únicos, criativos e diferentes de todos os outros. E isto é pura riqueza.

Ao trocarmos, entre nós, nossa realidade e descobertas é que construímos cultura e fazemos História.

Há quarenta anos, nosso trabalho no Arvoredo tem sido o de facilitar, das mais diferentes maneiras, os processos de desenvolvimento das pessoas, em grupos ou individualmente. Para mim, é indescritível o prazer de facilitar o desenvolvimento do outro.

Para começar, ao nos colocarmos à disposição de outra pessoa ou de um grupo de pessoas, para que elas conquistem algo valioso para si mesmas ou para o grupo, sempre nos desenvolvemos junto. Embora nossa função seja a de facilitar, sem nenhum envolvimento com o que o outro traz, o que vai se descortinando na nossa frente nos faz crescer, refletir, buscar o foco principal, construir raciocínios, ver além do visível, escutar com toda atenção, desenvolver sensibilidades, compreender de onde o outro está falando, descobrir as melhores formas de iluminar o caminho pelo qual o outro está passando para chegar onde precisa e quer.

Assim trabalhamos antes do Coaching chegar ao Brasil, fosse num Grupo de Criatividade, de Desenvolvimento da Percepção, de Comunicação Verbal ou Não Verbal, de Dinâmica de Grupo, fosse na Formação Arvoredo (que recebeu, por muitos anos, profissionais da Educação, das Empresas e de áreas variadas), fosse ainda em trabalhos de Desenvolvimento Pessoal.

Como a proposta de Tim Gallwey vinha ao encontro do que a nossa metodologia vinha realizando, ambas centradas no desenvolvimento da percepção e no respeito ao caminho do outro, abraçamos a nova atividade desde 1992 para os trabalhos individuais.

Como é importante facilitar o espaço em que o outro, no caso o Coachee, é senhor e dono do próprio processo!  Como não ter um grande prazer ao vê-lo despontando de um jeito novo, com novas ideias, compreendendo situações, descobrindo novas formas de atuar, experimentando novas possibilidades de se relacionar, conquistando espaços, galgando degraus mais altos.

Isto não significa que tudo é lindo e fácil, como meu relato poderia dar a entender: impossível descartar as dificuldades, os esforços, as lutas para ultrapassar obstáculos e até dor e sofrimento. O caminho pode ser mais agradável ou mais árduo, dependendo da situação em que a pessoa se encontra, ou da cultura na qual cresceu, mas é, sem dúvida, o trajeto do desbravador disposto a entrar em contato com cada detalhe que lhe caia diante dos olhos ou ao alcance das mãos, disposto a encarar o desconhecido e as surpresas que ele traz.  

Vejo beleza em tudo isto, a beleza de Ser Humano(a), com os grandes contrastes que cada um de nós carrega em si mesmo(a), com a força do construir e reconstruir, cair e se levantar, desistir e recomeçar, mas investindo na compreensão, cada vez maior, do seu modo próprio de ser, de viver e se transformar, sem limites.

Beatriz Pinheiro

Filósofa, com Maîtrise em Comunicação e Pós-Graduada em Comunicação Não/Verbal (DEA) – Université de Provence – França, Psicodramatista, Especialista em Coordenação de Pequenos Grupos; Coach desde 1992, criadora do e-program “Coaching – Posturas Fundamentais de um Líder/Coach” apoio da Formação Arvoredo de Liderança/Coach, Liderança de Excelência, primeira no Brasil (2000); professora/parceira na FIA desde 2005 no curso Coaching (O Líder/Coach); especialista em desenvolvimento de pessoas e grupos no Arvoredo desde 1977.

Autora de: “O Visível do Invisível” (A Comunicação Não/Verbal na Dinâmica de Grupo) Ed. Casa do Psicólogo (2ª Ed 2003), “Arvoredo – Um jeito brasileiro de fazer Educação”  –  Ed. Hedra (2009).  “Coaching e Formação de Liderança/Coach” – com os coautores João Luiz Pasqual e Vivian Broge, escrito diretamente no site www.arvoredo.com.br, 2012/2013)

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