COMO A INDECISÃO PODE AFETAR A VIDA?

Eduardo Shinyashiki

Seja no contexto profissional ou pessoal, cada momento vivido é o resultado das nossas decisões. Existir na essência é “fazer escolhas.

Isso significa que a vida é definida pela possibilidade que temos de escolher. Essa liberdade de decidir, que representa a grandeza do ser humano, pode às vezes se tornar um sofrimento, um estado de permanente indecisão, uma incapacidade de orientar o próprio caminho.

Nenhum projeto, sonho ou objetivo se realiza sozinho, mas sim por meio de uma decisão que promove uma ação, um movimento em direção ao resultado. Por isso, a indecisão demasiada pode reverter-se em um conflito emocional, deixando a pessoa estagnada e paralisada pela dúvida.

Para não nos tornamos reféns da indecisão, se faz necessário o entendimento de como as escolhas podem direcionar nossa vida para onde queremos ou para onde jamais imaginamos.

A vida em si é uma sequência de decisões e todas elas são o start que promove uma sequência de ações em direção ao resultado escolhido, porém, existem decisões que fazem parte do cotidiano, pequenas escolhas que com o tempo se tornam automáticas e consolidadas, como decidir o que comer, vestir ou assistir na televisão. E têm as grandes decisões, escolhas mais “importantes” e extraordinárias que podem mesmo mudar o rumo da vida de uma pessoa como a escolha da profissão, do relacionamento, de ter filhos, de onde morar, e por aí vai.

Essas decisões, mais complexas de serem feitas, podem nos amedrontar mais porque envolvem maiores riscos e consequências – às vezes não só para nós, mas também para outras pessoas envolvidas. Nesses casos, podemos nos sentir com mais dificuldades, impedidos e incapazes de optar por uma direção, criando dúvidas sobre qual caminho seguir e protelando as decisões até criar um problema.

O excesso de indecisão pode nos paralisar, nos deixando sem ação e bloqueados na incessante busca da “melhor” opção. Por exemplo, a maneira que a pessoa reage às pressões, exigências e incertezas no trabalho, faz toda a diferença entre o sucesso e o fracasso.

As pressões e as cobranças podem influenciar negativamente o proceso de decisão das pessoas e podem gerar medos, desânimo, preocupações, ansiedade, estresse, podendo levar o indivíduo a se sentir inadequado e inseguro para tomar decisões e, como decidir significa em essência solucionar os problemas, a indecisão pode se tornar um ponto vulnerável na construção da própria carreira.

A etimologia do verbo “decidir” vem do latim decidere, que significa cortar fora. O ato de decidir consiste então em optar por uma coisa e excluir outra, “cortar fora” as alternativas. É por isso que o medo de errar muitas vezes leva as pessoas a procrastinarem ou a deixarem para outros esse desafio, ou ainda encarregarem ao destino ou a sorte essa responsabilidade. 

O risco amedronta porque envolve a mudança e sua gestão e isso pode ser fonte de temor e ansiedade. Em todas as decisões existe um percentual de risco e todos somos sujeitos a errar em alguma circunstância. O importante é fortalecer a confiança em si mesmo e a inteligência emocional para saber lidar com os riscos, com eventuais fracassos e as múltiplas variáveis que podem surgir no cenário da nossa vida.

Decidir exige esforço e, como nos ensina o neurocientista Antônio Damásio, o processo de escolha é longe de ser uma análise racional, pois faz referimento às experiências passadas, que deixaram um caminho emocional na pessoa, evocando emoções e sentimentos que influenciam a tomada de decisão.

Fazer escolhas implica em assumir a responsabilidade das mesmas, as consequências e também os riscos presentes nelas. Tomar decisões é um processo de amadurecimento, que se aprende fazendo, fortalecendo assim a liberdade pessoal, independente do medo das opiniões, julgamentos e expectativas dos outros.

Podemos errar e assim aprender, utilizando as capacidades únicas do ser humano de transformação e evolução, conquistando mais autoconfiança e assim, fortalecendo a auto eficácia, que nos permite enfrentar as variáveis cotidianas com maior segurança para tomar decisões, mesmo as mais complicadas, com serenidade e coerência.

Podemos deixar que as circunstâncias e variáveis da vida moldem nossa existência ou podemos assumir as responsabilidades das escolhas, e assim, ter ações para viver plenamente e intensamente a própria vida.

Foto Perfil_Eduardo Shinyashiki 2016

Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, conferencista nacional e internacional e especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança aplicadas à Administração e Educação. Mestre em neuropsicologia, Eduardo é presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki e também escritor e autor de importantes livros como “Transforme seus Sonhos em Vida”, sua publicação mais recente.  www.edushin.com.br.

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