GESTÃO HUMANIZADA

Por Robson Santarém

Há alguns meses fui entrevistado por uma estudante de uma universidade paulista sobre “Gestão Espiritualizada”, objeto de estudo para a sua monografia. Aproveito então, a ocasião, para compartilhar minhas reflexões para as suas questões.

Quais práticas fundamentam a existência, na atualidade, da Gestão Espiritualizada nas organizações?

Gosto de esclarecer que para mim a espiritualidade é um modo de ser e viver a vida e esse modo tem que ser refletido em nossas atitudes, em nossos comportamentos em todos os relacionamentos que temos na sociedade, pois é no dia-a-dia quando enfrentamos tantos desafios e dilemas que temos a oportunidade de viver aquilo que entendemos como ser espiritualizado. Desse modo, penso que a expressão Gestão Espiritualizada nas organizações, pode provocar muitos equívocos de interpretação, e, embora considere a ESPIRITUALIDADE extremamente importante e essencial, desconheço práticas explicitadas como “gestão espiritualizada”. Prefiro chamar, pelo menos por ora, de GESTÃO HUMANA. E, para mim, as principais práticas da gestão humana, estão relacionadas a CULTURA ORGANIZACIONAL BASEADA EM VALORES o que possibilita a criação de uma ambiência ou clima organizacional favorável à satisfação / felicidade dos empregados e orgulho de pertencer àquela organização. Abordei isso em meu livro A PERFEITA ALEGRIA (Ed. Vozes). E, é claro, que isso traz como consequência melhores resultados para a empresa, maior comprometimento, melhor atendimento a clientes, redução de custos, de turnover entre outros fatores.

Que valores definem uma Gestão Espiritualizada? Entre eles, quais são os principais?

Devemos pensar as organizações como ORGANISMOS VIVOS, nesse sentido toda organização tem as mesmas dimensões e necessidades de todos os seres vivos e estas precisam ser atendidas:

1.FÍSICA: relacionada a todo aspecto material, financeiro e lucratividade

2.EMOCIONAL: relacionada aos relacionamentos internos e externos da organização que precisam ser harmoniosos e sinérgicos

3.MENTAL: relacionada ao desenvolvimento, pesquisa, gestão do conhecimento, inovação, etc.

4.ESPIRITUAL: que é o núcleo de tudo e que sustenta a organização com os VALORES, sua RAZÃO DE SER e sua CONTRIBUIÇÃO PARA O BEM COMUM.

É nessa dimensão que se deve identificar os valores essenciais que irão reger a organização. Em geral, quem os define são os proprietários / dirigentes da organização, entretanto, cada vez mais se constata, por estudos e experiências, que quanto mais se envolve os colaboradores na identificação e alinhamento dos valores mais fortalecida fica a organização, uma vez que eles se tornam não só a bússola para tomada de decisão, mas também o alicerce que sustenta toda a gestão.

Penso que não devemos, de antemão, definir os valores para a Organização tornar-se HUMANA / ESPIRITUALIZADA. Isso deve ser mapeado a partir dos gestores e seus colaboradores. Sabemos, porém, que todo valor que contribua para o cumprimento do propósito e para o bem-comum vai contribuir para que a gestão seja, de fato, mais humana.

Quais são os modelos apropriados de cultura organizacional para integrar o estilo de Gestão Espiritualizada?

O modelo apropriado é aquele que contribui para a sustentabilidade da organização em termos econômico, sociais e ambientais. Não se pode perder de vista isso. Daí a importância de envolver as pessoas e refletirem sobre a missão da Organização nessa perspectiva, visto que toda empresa tem uma responsabilidade perante a sociedade e, nesses tempos, mais que nunca, responsabilidade perante a vida em termos mais amplos possível, perante à dignidade humana e ao planeta. Construir uma cultura organizacional baseada em valores implica em refletir sobre todos esses aspectos.

De que forma as empresas implantam a Gestão Espiritualizada? Quais as facilidades e as dificuldades nesse processo?

Não se trata de implantar, em minha concepção, uma gestão espiritualizada.  Isso jamais acontecerá se, no mínimo, seus dirigentes não forem espiritualizados. Espera-se que, pelo menos, sejam HUMANOS! Sigo a máxima que empresas não se transformam, pessoas sim. Então, o primeiro passo é investir no desenvolvimento das lideranças de forma a ampliar a consciência, para compreenderem a si próprios em sua missão de vida, revisão de suas crenças / modelos mentais e sua contribuição para o bem comum. É sempre a partir do indivíduo e em seguida o que se deve fazer para melhorar a estrutura e os sistemas que podem contribuir para que a organização se torne mais humana.

Em um modelo extremamente competitivo, materialista, consumista e individualista, as maiores dificuldades residem em mudar o modelo mental para que se entenda a interdependência de todos e de todas as coisas o que implica em comportamentos mais solidários, cooperativos, íntegros e éticos em todas os relacionamentos.

Um possível caminho facilitador do processo é a constatação que todos os seres humanos anseiam por felicidade, por uma vida equilibrada, harmônica e o modelo atual não tem proporcionado isso. Ao contrário, o desequilíbrio entre a dimensão pessoal e profissional é crescente, o estresse e tantos outros distúrbios tem gerado inúmeros problemas para o indivíduo e para a organização.

Quero registrar, enfatizando, que mesmo acreditando na importância da espiritualidade, escrevendo livros a respeito e atuando como consultor há 20 anos, jamais propus para qualquer cliente implantar uma “gestão espiritualizada”, não vejo sentido, mas criar uma cultura / uma organização mais humana, sim, isso faz todo sentido para mim e para os clientes.

Robson Santarém

Consultor em Gestão de Pessoas, Coach Executivo, ACC, Palestrante, Sócio-Diretor da Anima Consultoria para Evolução Humana. Autor dos livros PRECISA-SE (de) SER HUMANO – VALORES HUMANOS: EDUCAÇÃO & GESTÃO; AS BEM-AVENTURANÇAS DO LÍDER: A JORNADA DO HERÓI; A PERFEITA ALEGRIA – FRANCISCO DE ASSIS PARA LÍDERES E GESTORES (todos publicados pela Ed. Vozes) e AUTOLIDERANÇA – UMA JORNADA ESPIRITUAL (Ed. Senac Rio)

https://www.facebook.com/animahconsultoria/

abraços

Robson Santarém

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *