ENTENDA O SEU TEMPO E NÃO O DEIXE ESCAPAR

Eduardo Shinyashiki

Vivemos no tempo e não podemos viver fora dele ou sair dele. Ele é parte da nossa vida, parte da sociedade.

Dependendo da percepção subjetiva de cada indivíduo e do uso que é feito dele, o tempo pode ser nosso aliado ou nosso inimigo.

Há momentos em que conseguimos administrar o tempo com sabedoria, de forma planejada. Já em outras situações, a falta de tempo e a pressão exercida sobre nós, geram desequilíbrio pessoal, acarretando em estresse e ansiedade.

A percepção do tempo, tão intimamente ligada à percepção da nossa vida, é algo muito precioso, porém, uma das queixas que mais ouço nas empresas e nas consultorias organizacionais é sobre a escravidão do tempo e como ele se torna opressivo. Mas será que é o tempo que exige muito de nós ou nós que não entendemos a suma importância que o tempo tem?

Frases como “O tempo voa”, “Não tenho tempo”, “Meu tempo não rende” e “Preciso de mais horas no meu dia” são comuns no cotidiano, confimando a percepção generalizada de que o tempo nunca é suficiente e que o dia passou sem percebermos. Nesse contexto, prevalece a sensação de que atividades, trabalhos e compromissos foram deixados para trás.

Mesmo não podendo delimitar o conceito de tempo em uma definição precisa e univoca, ele se tornou um dos temas centrais da nossa vida pessoal e profissional, algo que sempre fascinou o ser humano. Filósofos, cientistas e pensadores como Santo Agostinho, Aristóteles e Sêneca já debateram amplamente o assunto deixando de discutir somente o conceito mesurável e técnico e alcançando outras definições mais amplas, como o tempo de vida, de oportunidades, de escolhas, do tempo de encerramento e abertura de ciclos.

O tempo é considerado não só como horas, dias, anos, prazos e vencimentos, mas também como tempo do ser humano, diferente para cada um, com ritmos de evolução e aprendizados específicos para cada pessoa na própria trajetoria de vida.

Se enxergarmos o tempo apenas como prazos, datas e anos de vida que se passam, consequentemente iremos viver em um ciclo contínuo de angústia, pois essa visão superficial do tempo pode nos tornar reféns dele e ainda nos fazer sentir dominados, entrando num estado de constante sofrimento e falta de esperança.

O relógio foi criado para medir o tempo, mas será que por meio dele conseguimos avaliar o quanto vale cada segundo e minuto da nossa vida? A percepção de tempo vai muito além das horas, prazos e vencimentos.

Quando começamos a vivenciar o tempo como aliado, como oportunidades que se apresentam no decorrer da vida, momentos decisivos e possibilidade únicas, temos como olhar para o relógio de outra forma, percebendo que tudo ao redor está em movimento e o “é” logo se torna “foi”. O “hoje” vira “ontem” e tudo passa e se transforma cumprindo a ordem natural da existência.

Enxergar e viver o tempo também sob esse ponto de vista, percebendo que tudo é constante mudança e transformação e que o transcorrer do tempo é o transcorrer da vida, nos permite entender o caminho do homem: evoluir continuamente tendo a opção e a possibilidade de mudar hábitos e crenças limitantes e adquirindo novos conhecimentos e competências.

Quando aprofundamos o entendimento sobre tempo e percebemos que não podemos pará-lo ou agarrá-lo, mas só vive-lo e desfrutá-lo, notamos que visões podem ser ampliadas e atitudes mentais expandidas com pensamentos mais conscientes e responsáveis, que motivam comportamentos e ações mais eficientes. Tempo é liberdade e oportunidade para evoluir, crescer e aprender e é por isso que não podemos deixá-lo escapar.

Quando mudamos nossa atitude mental em relação ao tempo e começamos a vivenciá-lo como esperança e possibilidade de sonhar e criar, como algo que está a nosso favor, passamos a respeitá-lo mais.   Assim, as ações para organizar melhor o tempo como alinhar objetivos de forma adequada, definir prioridades e respeitá-las, concentrar as tarefas importantes e mais criativas nos momentos de maior pico de energia, terão mais resultados e sucesso.

Foto Perfil_Eduardo Shinyashiki 2016
Eduardo Shinyashiki
é palestrante, consultor organizacional, conferencista nacional e internacional e especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança aplicadas à Administração e Educação. Mestre em neuropsicologia, Eduardo é presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki e também escritor e autor de importantes livros como “Transforme seus Sonhos em Vida”, sua publicação mais recente.  www.edushin.com.br.

 

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