AS DIFERENÇAS ENTRE COACHING E TERAPIA

Por Marcela Lempé

Formei em psicologia em 2006, há mais de 10 anos, mas só agora me vejo assumindo para o mundo o meu papel de psicóloga.

Quando paro para refletir porque “demorou” tanto tempo (demorar vem de um olhar de julgamento), vejo que foi o tempo necessário para o meu amadurecimento emocional, para que a psicologia entrasse em mim e transbordasse pelo meu Ser, não como uma técnica, mas como uma experiência.

Posso dizer que ela já estava dentro de mim antes mesmo da escolha da profissão, desde o meu olhar de observadora do mundo, como se estivesse na janela do trem observando o que se passava com as pessoas lá fora, desde a minha compaixão e empatia com aqueles que pareciam experimentar alguma dor, conflito, dúvida, ou simplesmente um desejo de despertar, de ser e fazer diferente.

Depois de formada fui trabalhar no ambiente corporativo na área de RH, onde a psicologia também estava presente, mas ainda não do jeito que eu gostaria que estivesse, e foi com a formação em coaching, 8 anos depois de formada, que fui me aproximar novamente dessa linda profissão.

O coaching para mim não é um processo de atingir metas e olhar apenas para o âmbito profissional, como muitos entendem. Vejo o coaching como um processo de autoconhecimento e desenvolvimento, um processo de mergulhar no quem sou e quem quero ser, um processo de autodescoberta, expansão e transformação.

Para atuar com esse olhar no coaching, passei por uma formação em coaching com psicodrama e outra em coaching ontológico, e atualmente faço uma nova formação em coaching com um olhar ainda mais integral.

Voltando ao tema do artigo, fica a pergunta, como diferenciar o coaching da terapia nesse contexto de um olhar integral e aprofundado para o Ser?

Essa pergunta está comigo já há um tempo e já foi motivo de muita angústia. Chegava a me perguntar se precisaria diferenciar, já que posso desfrutar de ambos os papéis (psicóloga e coach). Costumo brincar que faço “teracoaching”. Mas também acho importante a distinção e os contornos necessários a esses dois processos.

No coaching, apesar de ser um processo também de aprofundamento no Ser, de autodescoberta e desenvolvimento, ele geralmente vai atuar em cima de algum tema, que pode ser o tema que o coachee escolher, como carreira, liderança, relacionamento, propósito de vida…, entre outros.

É um processo mais focado. Podemos abrir e divergir, mas voltamos para um foco, que podemos chamar de desejo, objetivo, declaração de futuro…

Geralmente é um processo mais curto que o da terapia, mas também poderá variar bastante em número de sessões e prazo, podendo até ser longo, uma vez que podemos abrir novos objetivos/declarações de futuro e o processo reiniciar.

Mas há um objetivo claro a ser investigado, há algo que norteia nossos passos, que é a coluna do processo, e é importante checar esses passos e como tem se dado o desenvolvimento durante o processo.

Falamos que o coaching é um processo terapêutico, mas não uma terapia.

Já na terapia, de uma forma geral, digo isso porque há diversas terapias, como a terapia breve, comportamental, analítica, corporal, entre outras…, não temos um foco específico.

É um espaço no qual teremos uma conversa qualificada, ou seja, uma escuta ativa, presente, sem julgamentos, com perguntas e/ou atividades que promovam a reflexão, com cuidado e espelhamento, contribuindo para o processo de autoconhecimento, de desenvolvimento emocional e de fortalecimento do cliente para que ele consiga estar mais saudável nos diversos papéis que exerce na vida.

Não é necessário ter um tema que direcione o processo. O processo é mais aberto, conforme aquilo que está vivo na pessoa no momento. E a cada sessão esses conteúdos vão se costurando de forma visível ou invisível, possibilitando esse amadurecimento do Ser ao longo da sua jornada, que levará o tempo que for necessário.

Há diversas práticas, teorias e modelos de processos de coaching e terapia e não tenho a intenção aqui de restringi-las a um único olhar. Compartilho apenas a minha experiência.

O que para mim é o cerne de todo processo de desenvolvimento é o olhar integral, o cuidado com o outro, a escuta genuína, a presença, e o estar em função do novo Ser que quer emergir no outro.

Indico o coaching ou a Terapia para todos aqueles que querem se descobrir, se conhecer mais, ampliar sua consciência e sua forma de atuar no mundo.

Para aqueles que estão vivendo conflitos emocionais mais intensos ou que querem esse espaço aberto e cuidado para lidar com suas emoções e para se conhecer em um tempo mais longo, sem um objetivo claro, talvez a terapia seja o melhor caminho. Já aqueles que têm um objetivo de investigação mais claro, um papel específico que quer desenvolver ou um tema definido de investigação, podendo acontecer em um prazo mais curto e com mais contorno, talvez o coaching seja o melhor caminho.

De qualquer forma, o primeiro passo é encontrar um profissional no qual confie e se sinta à vontade para compartilhar suas necessidades e entender qual o melhor caminho a ser trilhado.

Marcela Lempé : Psicóloga, Coach e Facilitadora de Processos de Desenvolvimento Humano e Organizacional. email : marcela@essenciadesenvolvimento.com.br
www.essenciadesenvolvimento.com.br

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