BOM DIA, TUDO BEM COM VOCÊ?

Escrito por Elaine Trannin

Quando você chega ao seu local de trabalho, você tem o hábito de cumprimentar seus colegas, sua equipe, seu gestor? Ou acha que isso é perda de tempo e que você tem mais o que fazer? Afinal, depois de focar no que tiver mais urgência e importância, você vai encontrando as pessoas e cumprimentando ao longo do dia, não é mesmo?!

Pois, eu acredito que esse é um tema simples, básico e que vale uma reflexão. No começo da minha carreira, eu costumava chegar ao trabalho – atuava na área industrial – checar os e-mails e responder a todos que considerava mais urgentes – processo que levava cerca de 1 hora diariamente. Comecei a perceber que quando eu ia dar uma volta na fábrica e ver se estava tudo bem, descobria que tinha funcionário que ainda não tinha chegado, que haviam máquinas e equipamentos que não estavam funcionando, que haviam materiais ou insumos que estavam faltando, entre diversos outros problemas que a equipe não tinha conseguido resolver por conta própria porque eram atribuições do gestor, no caso eu, entender mais a fundo o que tinha acontecido e facilitar uma solução para o assunto.

Quando nos reuníamos para verificar o atingimento das metas, a justificativa principal para o não atingimento de nossos objetivos era a falta de suporte. Mas, suporte de quem? Ah… suporte da Manutenção, da Logística, da Qualidade, do Compras e todas as áreas que de uma forma ou de outra, estavam conectadas às necessidades de nossas áreas de Produção. E como poderia ser assim, se temos pessoas qualificadas e engajadas em todos esses departamentos?

Por que meus funcionários não vinham até mim, dizer que precisavam de ajuda? Eu sempre dizia que poderiam e deveriam fazer isso. Por que não surtia nenhum efeito no comportamento deles?

 

A resposta veio de forma tímida, receosa e verdadeira:

 

“Porque a gente acha que você tem coisa mais importante para se preocupar. Não queremos te incomodar com esses probleminhas do nosso dia-a-dia.”

 

Esse retorno vindo diretamente deles provocou uma reflexão profunda no meu papel de líder:

  • Era isso mesmo o que eu queria que eles pensassem sobre as minhas responsabilidades em relação ao departamento?
  • Que impacto positivo eu estava gerando em responder e-mails com a mais alta prioridade no inicio do meu dia?
  • Ou em comprometer a minha agenda com uma série de reuniões que me afastavam da minha equipe?
  • Se a equipe é quem gera os resultados que buscamos ao final de cada dia, de cada mês, de cada ano, por que eles sentem que suas necessidades são um incômodo para o gestor deles?
  • Se não for o gestor, quem será a pessoa responsável por garantir que eles tenham as condições ideais de trabalho, os materiais necessários, as pessoas em cada posto de trabalho?

Após uma série de considerações e ponderações, promovi uma mudança radical na minha rotina diária. Quis resolver essas queixas de forma definitiva, entendendo que muitas das falhas vistas nos processos vinham de uma distorção na minha atuação liderando essas pessoas.

Ao chegar para trabalhar diariamente, antes de ligar o computador, eu passei a ter o hábito de caminhar pelas áreas sob minha responsabilidade, parando em cada posto de trabalho e cumprimentando cada funcionário, perguntando se estava tudo bem ou se precisava de algo. Com essa nova rotina, naturalmente, veio a ação de parabenizar individualmente os funcionários que tinham atingido suas metas pessoais no dia anterior ou fazer algum reconhecimento por algum trabalho em que tenha se destacado. O clima entre todos começou a mudar rapidamente, começamos a ter mais proximidade, o ambiente ficou mais descontraído e as relações passaram a ser de mais confiança mútua. Funcionários com problemas pessoais começaram a se sentir à vontade para compartilhar comigo suas angústias e o simples fato de serem ouvidos já provocava um alivio em suas tensões e preocupações. Ideias de melhoria passaram a ser relatadas constantemente para mim, sendo a grande maioria muito eficaz, já que eles eram os maiores conhecedores dos problemas que enfrentavam em seus postos. Muitas falhas recorrentes foram remediadas pela simples escuta de suas opiniões e sinal verde para implementarem as modificações.

Nessa caminhada, eu já conseguia formar um panorama bem definido de como estava tudo e todos e podia encaminhar os ajustes necessários, evitando perdas de tempo na resolução do que era realmente urgente e importante. Conversava diretamente com os meus pares para reportar os problemas, conseguindo uma assistência mais rápida para o departamento. Tudo começou a fluir de forma mais efetiva e claro que os resultados apareceram quase que de imediato.

Além de todos esses benefícios práticos e da melhoria do ambiente de trabalho, os funcionários passaram a se sentir mais motivados e engajados para darem o melhor de si na empresa. Tinham sentido de valor como profissionais e o sentimento que eram importantes na cadeia produtiva.

Depois de todas essas mudanças, é incrível pensar no poder do “bom dia”, no poder de olhar verdadeiramente para o outro, de questionar se está tudo bem ou se precisa de apoio em algo.

Por isso, incentivo todos os líderes a refletirem sobre sua ordem de prioridades, sobre o grau de importância que está dando a seus liderados. Transformações fantásticas deverão acontecer com essa simples inversão de prioridades.

Fico na escuta!

Elaine Trannin – Master
coach@elainetrannin.com.br

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