BASES CONCEITUAL DA PSICOLOGIA DOS ENEATIPOS

Por Elaine Trannin

O Eneagrama vem ganhando mais popularidade nos últimos anos, mas a maioria das pessoas ainda não conhece muito suas origens e nem suas bases conceituais. Por isso, veio a ideia de fazer uma breve explicação desse símbolo quando atrelado ao que é chamado de Psicologia dos Eneatipos.

Tomando primeiramente como referência a visão da Psicanálise, Freud ressaltou que a neurose era algo praticamente universal, sendo transmitida de pais para filhos, de geração em geração, ou seja, todos somos de alguma forma neuróticos. E a explicação fundamental da neurose freudiana é o medo infantil, que surge de uma angustia da criança pelo fato de estar indefesa e dependente diante da autoridade dos pais. Esse medo nos inibiu contrapondo-se à força dos nossos instintos, causando o inicio do processo neurótico.

Em segundo lugar, trazemos a referência da Psicologia Humanista dentro da corrente existencial da Psicoterapia, onde se associa neurose à perda da autenticidade.

Entendemos que esses dois pontos de vista são complementares, ou seja, tanto o medo quanto a perda da autenticidade constituem bases das nossas neuroses. A perda da autenticidade nos distancia de nossa própria essência, o que gera também o sentimento de medo.

Um terceiro ponto que entra aqui é a perda da consciência sobre nós mesmos, sobre nossa essência, o processo chamado de degradação da consciência. É um processo tão profundo que ao final, não lembramos que perdemos algo, que nos limitamos e que não estamos usando o nosso pleno potencial. Ficamos cegos para a cegueira e acreditamos que somos livres; além da perda da consciência, perdemos qualidade de vida emocional e de motivação.

Logo, a neurose, segundo a Psicologia dos Eneatipos, se sustenta na tríade Esquecimento de si, Medo e Falsidade de si. A base dessa neurose é um desvio em relação ao alvo que seria a nossa essência, gerando uma paixão por algo parecido a nossa essência, mas que não é o que buscamos verdadeiramente; é uma ilusão. Esse erro cognitivo constitui a parte essencial da personalidade e os mecanismos de defesa associados ajudam a sustentar nossa inconsciência. Por isso, vivemos de forma automática sem nos dar conta de quem realmente somos. Nosso caráter ou personalidade constitui nosso modo fundamental de nos defendermos perante a vida e as demais pessoas.

Com isso, acabamos interferindo na própria auto-regulação do nosso organismo. A neurose acaba se cristalizando porque quanto mais esquecemos de nós, mais medo sentimos e então, mais máscaras usamos. Quanto mais máscaras usamos, mais distantes ficamos da nossa essência e mais medo isso nos gera e outras máscaras colocamos. É uma espiral negativa e sem fim, enquanto estivermos vivendo de forma inconsciente, por isso, podemos entender que somos todos neuróticos.

Uma das maiores contribuições de Claudio Naranjo na constituição da Psicologia dos Eneatipos foi sua abordagem integrativa a partir dessas várias fontes e mestres. As nove diferentes estruturas de caráter abordadas pela Psicologia dos Eneatipos não são novas para a Psicologia, mas vêm em uma nova perspectiva. É como se a nossa psique se especializasse em uma das nove possibilidades.

Além do leite materno, a criança precisa sentir-se plenamente amada, acolhida, e protegida e podemos imaginar as inúmeras formas em que fomos frustrados nesses aspectos na nossa infância. Diante da falta do que precisava, a criança desenvolveu uma personalidade com objetivo de manipular as situações e tentar conseguir o amor que buscava em seus pais.

Cada personalidade tem dois aspectos centrais: uma maneira peculiar de distorcer a realidade e uma tendência motivacional. De forma geral, a primeira conclusão que tiramos disso é que vemos o mundo pelas lentes da nossa neurose e não como ele é de verdade. A segunda conclusão é que nossas motivações são diferentes das outras pessoas e algo que motiva alguém, pode, por exemplo, apavorar o outro. Uma situação que alegra uma pessoa pode deixar outra pessoa triste. Isso, por si só, já é uma grande fonte de conflito entre as pessoas.

Essas nove estruturas de caráter são organizadas e apresentam contrastes, relacionamentos e polaridade entre elas, que é representado pelo símbolo do Eneagrama.

Concluindo, vemos essa sabedoria como uma chave especial que nos permite acessar nossos mecanismos mais inconscientes e assim, trazer à luz da consciência nossas estratégias infantis. Dessa forma, nos capacitamos a caminhar em direção a uma vida mais plena e integral. O Eneagrama é realmente poderoso na arte de viver a mudança.

Te escuto!

Elaine Trannin
Master Coach
coach@elainetrannin.com.br
www.elainetrannin.com.br

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