AS VÁRIAS FORMAS DE AMAR

Por Rafaela Lopes

Amor, palavra pequena, com um significado tão abrangente. Presente em nossas vidas de várias formas: fraterno, materno, paterno, romântico… mas, irei me ater ao romântico!

Mas, de fato, o que é amor? Segundo o Michaelis:

Sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso. Grande afeição de uma a outra pessoa do sexo contrário. Afeição, grande amizade, ligação espiritual.

Ou seja, quando dizemos amar, nos referimos a um misto de sensações. Temos pela pessoa, amizade, respeito, admiração, atração, enorme afeição. Queremos sempre o bem para quem amamos.

Mas, como saber se o outro também nos ama?

Para isso, precisamos entender que a outra pessoa não tem a obrigação de demonstrar o sentimento, como nós o fazemos.

O que isso quer dizer?

Que se eu digo vinte vezes ao dia, que o amo e ele diz uma vez por semana, não significa que me ame menos. Consegue entender isso? Realmente consegue?

Insisto na pergunta, por um motivo muito simples. Relações terminam, porque as pessoas não reconhecem a forma do outro demonstrar amor. Vivem com cobranças de ambas as partes, acusações, semeiam a discórdia sem ao menos darem-se conta. Isso por falta de um olhar atento, cuidadoso, para com o outro. Uma relação não é apenas romance! É convivência, amizade, cumplicidade. Então, pergunto:

Você sabe dizer, qual a forma do seu parceiro (a) demonstrar que te ama?

Nesses meus 33 aninhos de vida, percebi que entre um casal, pode haver seis classes de amor. Assim classifiquei-os em:

O amor provedor

Como o próprio nome diz, é demonstrado pelo prover. Em sua maioria, homens, tendem a ter essa forma. Pode ter a ver com a educação, religião, ambas as coisas. O fato é que o Provedor, tende a ser mais “seco”, na visão de outras pessoas. Está sempre preocupado com as formas de sustentar e manter as pessoas que ama. Muitas vezes, taxado de ambicioso.

As pessoas percebem a preocupação da pessoa em ter condições, ter uma situação financeira. E muitas vezes, na busca do ter, negligencia o ser. Ser presente, atencioso, carinhoso… e daí vem as críticas e discussões que para o Provedor, não fazem o menor sentido.

Sua forma de demonstrar o que sente é não deixando faltar roupas, alimento, conforto, mimos para o ser amado.

O amor oratória

São pessoas que sentem extrema necessidade de dizer ao outro o que sentem. Alguns os têm como “melosos”. O tempo todo dizem que amam. Todos os dias, a cada 1 hora, meia, cinco minutos. Deixam recadinhos, enviam e-mails, fazem dedicatórias, enviam as tão temíveis mensagens em carros e megafones para o seu trabalho e/ou casa.

Entenda, não fazem por mal. Mas, a comunicação por palavras é a forma de demonstrar o sentimento.

Não são pessoas carentes, como muitos pensam. Ao contrário, apenas amam demais e precisam externar o que sentem.

O amor ação

 Semelhante ao provedor, quem tem essa forma de amar, muitas vezes, aos olhos alheios parece uma pessoa com manias! Percebi que as mulheres demonstram mais essa forma, talvez também pela educação mais servil e submissa.

São as pessoas que se preocupam com o bem estar. Uma casa impecavelmente limpa; uma roupa lavada, passada e engomada; alimentação ideal para a rotina do ser amado.

Por não utilizar de muitas palavras, também passa a impressão de uma pessoa “seca”. Embora o servir e o fazer sejam suas formas de demonstrar.

O amor baila comigo

Característico em pessoas que necessitam fazer-se perceber. Passam a emitir um eco do ser amado e das suas atitudes, afim de não desapontar.

Se o outro diz que me ama, eu digo “eu também”. Se o outro me faz uma surpresa, tenho que fazer uma também.

Há certo sofrimento nessas pessoas, pois, a ínfima possibilidade de não estar à altura de quem se ama, pode leva-lo a um comportamento depressivo. Nesse caso, especificamente, o diálogo franco deve sempre, sempre estar presente. Para que a pessoa perceba que o outro não é perfeito e que não tem que viver em função de nunca desapontar, de nunca dizer um não.

Preocupa-me muito, já que a pessoa por vezes anula a si mesmo.

O amor tatoo

A necessidade de tocar o outro é enorme! Incompreendidos, os “pegajosos” também sofrem com a repulsa e negação da pessoa amada. Outros ainda são taxados como tarados. Por querer sempre estar em contato com a pele e corpo de quem amam.

Não são pessoas superficiais, muito pelo contrário. Apenas precisam ser tocas e tocar. O contato físico é extremamente importante e é assim que demonstram amar. Um afago, um cafuné, abraços. A proximidade dos corpos é a característica marcante.

O amor partilha

Idealizado por muitas pessoas. Aquele de contos de fadas, que possuem o famoso “e viveram felizes para sempre”.

Mas, nada é tão simples! Esse tipo de amor, percebi em casais mais experientes em idade e/ou com maior tempo de relacionamento, acima de sete anos.

É o amor que se preocupa e tenta entender. O casal busca sempre o senso comum. Cada um com suas particularidades, porém, sempre juntos. Dispostos a experimentar, a se colocar no lugar do outro, a ver o mundo com os olhos do amado.

A maturidade muito ajuda nesse caso. Uma vez que entendem que estão juntos por escolha e não por frenesi de paixões.

Ah! Mas, não se engane!!! Possuem um nível de intimidade quase etéreo, um envolve o outro por completo, se entendem no olhar. Partilham de todas as outras formas em equilíbrio. Sabem se doar, demonstrar, agir, falar, tocar… tudo de forma serena. Sempre respeitando os limites, nunca forçando.

Ok, muito lindo tudo isso… e como eu saio de uma classe e vou para o “felizes para sempre”?

DIÁLOGO!!

Nenhuma forma é melhor ou pior. Apenas devemos manter em equilíbrio. Aprender a perceber o outro. Como ele demonstra o sentimento, como ele espera que você também demonstre!

Sim, somos egocêntricos! Queremos tudo pago na mesma moeda.

Só que é um erro!!! Somos pessoas diferentes, vindas de famílias e culturas diferentes!! Nunca agradaremos em cem por cento!

Isso quer dizer que devemos levar a vida, em “Síndrome de Gabriela” (eu nasci assim, eu cresci assim, eu fui sempre assim…)?

Não! Ambos os lados tem que ceder. O casal deve procurar o senso comum. O ponto de equilíbrio em que suas formas de amar, não se sobreponham, mas, caminhem juntas.

Aprender a conviver com as diferenças! Se você não é capaz disso, desculpe… você não faz ideia do que seja uma vida a dois. Não há casal sem problemas, porque os problemas moldam o casal! Até o “felizes para sempre” tem seus altos e baixos.

Mas, o meu objetivo é fazer você entender que não há uma só forma. Não há uma receita de como amar e ser amado.

Precisamos de atenção e sensibilidade para nosso GPS emocional, saiba em que terreno estamos.

Se o que eu disse, não faz sentido para você, fique com minha intensão super positiva em ajudar!

Se o que disse fez e faz sentido para você, mova-se em busca do equilíbrio, do senso comum do casal!

Você já perguntou ao seu parceiro hoje, como ele gosta de sentir-se amado por você? Não? Que tal fazer essa experiência?!

Paz e luz a todos!
Rafaela Lopes
Coach de Autoestima e Relacionamentos

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