AS DUAS FACES DO STRESS!

Por Elaine Trannin

Stress é uma palavra com origem latina no termo Distringere, no francês se tornou Distrece e para o inglês Distress e significa sofrer, estar infeliz, necessitado de ajuda. Com o tempo, foi abreviado para stress e é esse termo que usamos mais comumente no português, apesar de termos um equivalente exato que é a palavra tensão.  Originalmente, tensão era mais usado na física significando os desgastes a que estão expostos os materiais.

Se formos para área humana, podemos considerar que o stress tem duas faces principais, sendo uma potencialmente positiva e outra negativa.

A face positiva do stress, também conhecida como stress agudo, é um dos nossos mecanismos de defesa e por isso, de suprema importância para a nossa sobrevivência. Em situações de perigo ou risco, nosso batimento cardíaco e nossa pressão arterial aumentam, o sangue que irriga o intestino e a pele é desviado para os músculos, hormônios estressores como cortisol e adrenalina são produzidos para que nosso corpo esteja preparado e com energia para lutar ou fugir. É um mecanismo preservado desde os nossos ancestrais e que continua ativo para nos proteger e para nos proporcionar o melhor desempenho possível. É como um combustível especial para potencializar a nossa atuação. Passada a situação crítica, o funcionamento do nosso corpo volta ao normal e todas as funções são restabelecidas incluindo a de recuperação, renovação e criação de tecidos, nossa pressão retorna para níveis normais e o sangue volta a irrigar todos os órgãos e pele. Somos resilientes o suficiente para reagirmos a eventos inesperados da melhor forma possível sem deixar sequelas no nosso organismo, mas esses benefícios só terão validade se o stress não perdurar por mais de 24 horas.

Já a face negativa do stress, conhecida como stress crônico, é a mais comumente comentada nos dias atuais e tem afetado milhares de pessoas, levando inclusive, ao uso de medicamentos controlados e em casos mais extremos, à depressão. Atribuímos as causas, principalmente, à correria do dia-a-dia, as tantas obrigações que temos, aos desafios da vida moderna e em alguns casos, a questões genéticas.

Se considerarmos as pessoas que vivem nas cidades e nos grandes centros urbanos, poderemos perceber que todos somos afetados pelo cotidiano da mesma forma ou que eventualmente, as situações pelas quais passamos, são muito similares. Então, por que algumas pessoas estão sempre estressadas e outras administram suas vidas de forma mais tranquila?

Se formos analisar essa situação com um pouco mais de cautela, iremos perceber que o processo do stress tem inicio quando criamos expectativa acerca de algo em nossa vida. Expectativa pode ser entendida como o processo de imaginarmos como algo deveria acontecer, como as pessoas deveriam reagir e os resultados que deveriam ser atingidos. É um plano mental que fazemos e que esperamos que vire realidade. A partir desse momento, essa expectativa se transforma em algo um pouco mais profundo e que nos expõe um pouco mais em termos de saúde: ansiedade.

Nuno Cobra define a ansiedade da seguinte forma:

“Ansiedade é estar com a cabeça onde o corpo não está.”

É estar preocupado com alguma situação ou com alguma dificuldade antes de acontecer.  E a palavra preocupação já nos facilita o entendimento: pré-ocupação – ocuparmos nossa mente com algo, mesmo que ainda não seja o momento de efetivamente tratar a questão. Quando fazemos isso, o cérebro entende que já estamos diante do problema e envia sinais para o corpo se preparar e quase que instantaneamente, aumenta o batimento cardíaco, eleva a pressão arterial, produz adrenalina e cortisol. Como estamos nos antecipando ao problema, todo esse recurso é desperdiçado no organismo, mas o transtorno não para por aí. Se vivermos nesse estado de expectativa e ansiedade, nosso corpo viverá em estado de alerta, pronto a resolver as adversidades da vida, com altos níveis de hormônios estressores que acabam impedindo o funcionamento natural de todos os processos orgânicos e bioquímicos que mantém nossa saúde. Entramos em um estado de desequilíbrio constante, perturbando sono, humor, energia e disposição com a vida; começamos a ficar facilmente irritados, angustiados e nos sentimos sem força para realmente desfrutar da vida – nosso papel principal passa a ser sobreviver. É um ciclo negativo poderoso que acaba facilmente no uso de medicamentos para dormir e para acordar, infelizmente tão comuns hoje em dia.

E como sair desse ciclo negativo e autodestrutivo?

O ponto principal trazido pelo Nuno Cobra, Preparador Físico, é nos envolvermos com os problemas somente quando chegar o momento de resolvê-los. Qualquer ocupação mental antes disso é desperdício e maleficio. Teremos muito mais capacidade de resolução se estivermos de cabeça fria e tranquila, principalmente após uma boa noite de sono que é o melhor remédio que podemos ter para o nosso organismo, para a nossa mente e espírito. Temos que procurar manter sempre a cabeça com o corpo e isso é um exercício diário da prática da presença. Concentrarmos nosso foco e nossa energia onde estamos fisicamente e no que estamos fazendo a cada momento.

Um dos caminhos mais efetivos para chegarmos ao ponto de termos nossas expectativas e ansiedade sob controle e nos mantermos vivendo cada momento presente é a meditação diária. Podemos começar com 5 minutos a cada dia até chegar a 20 minutos de total relaxamento e com a atenção voltada a nossa respiração. O efeito é grandioso e nos conecta novamente com nós mesmos, ajudando inclusive a termos noites inteiras de sono. Assim, começamos a praticar um ciclo virtuoso que vai se retroalimentando naturalmente pelos próprios benefícios que a pessoa vai sentindo.

Não se preocupe, se ocupe….

Te escuto!

Elaine Trannin
Master Coach
coach@elainetrannin.com.br

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