A FORÇA DO FEMININO

Por Robson Santarém

Não há homem algum tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino. (Carl Gustav Jung)

Em sua investigação da psique, Jung constatou que não existe homem que seja só e exclusivamente masculino, isto é, que não possua em si mesmo algo de feminino. No inconsciente de cada homem há uma imagem coletiva da mulher. Esse é o arquétipo que recebeu o nome de Anima, que constitui a feminilidade da alma – ela compensa no homem a consciência masculina. Do mesmo modo, há o arquétipo contrassexual na mulher, com características masculinas, ao qual Jung denominou Animus. Não se trata de alma, mas do arquétipo da própria vida. Seria como admitir que a alma do homem é feminina e a da mulher, masculina.

É por demais interessante a análise feita por Jung quando diz que a mulher, com sua peculiar psicologia, é uma fonte de informação e inspiração para o homem, sobre coisas que ele sequer percebe. Ela não só inspira, como é capaz de indicar-lhe caminhos que, sem a sua ajuda, certamente ele não descobriria.

A tomada de consciência dessa influência e dessa energia psíquica dentro de cada um de nós, certamente, será o caminho para se tornar mais inteiro. Quando o homem reprime em si essa força, ele se desvirtua de si mesmo e dos seus mais profundos anseios. Desse modo, a Anima consiste nos anseios inconscientes do homem. Em termos de padrão emocional, isso equivale aos estados de espírito, ansiedades, aspirações emocionais, medos e sensibilidade, capacidade de se relacionar, etc.

Historicamente, a não admissibilidade desse conteúdo em si, ou o medo da Anima, provocou além de um grande sofrimento para o homem, um processo grave de discriminação das mulheres e depreciação de tudo o que fosse considerado feminino.

Para corrigir o rumo da história coletiva e buscar a própria integração em seu processo evolutivo, o homem deverá primeiramente tomar consciência da atuação desse arquétipo dentro de si, recuperando assim a sua inteireza. Sabendo-se da força que o inconsciente exerce sobre o indivíduo, é preciso integrar a energia da Anima para poder incrementar o progresso em seu ambiente cultural. É a força do feminino, presente na Anima que possibilita a harmonização interior e nas relações humanas, assim como a evolução da coletividade.

O desafio, então, é confrontar-se com a Anima, e desse árduo confronto pode surgir um novo indivíduo, integrado, harmonizado, porque terá passado pela maior das provas: o contato com suas feridas…

Por não saber lidar com essa energia, o homem teme o feminino. E como, em geral, o homem oprime o que teme, ele passa a ser um opressor do feminino, seja em si mesmo, reprimindo tudo o que pode ser caracterizado como feminino, seja nas mulheres e nos homossexuais, que, para ele, encarnam também o arquétipo.

Além de atacar a mulher, ele foge dos próprios sentimentos, já que os identifica como características femininas. Isso explica o porquê do grande medo que o homem sente do feminino, e do feminino que está dentro dele mesmo. Relaciona à mulher tudo o que se refere à ternura, carinho, intuição, e logo se afasta da mulher tão temida que é também a sua Anima.

[…] A consciência feminina desperta e gera receptividade, aceitação, tolerância e transformação da energia agressiva em criatividade, potencializando as forças em direção ao novo, a alternativas que não se prendem à lógica reducionista do masculino.

Se observarmos com atenção, são essas, hoje, as principais virtudes exigidas de um líder. Seus seguidores, na verdade, lhe serão fiéis à medida que forem cativados, acolhidos, ouvidos, respeitados. Porque não se lidera pelo intelecto, mas pelo coração. Eis a força do feminino, a força da Anima! Do coração brota a empatia. Do coração brota toda a energia capaz de cativar e mobilizar pessoas, de sensibilizá-las para uma jornada, para um caminhar coletivo rumo a metas maiores da vida.

A dimensão emocional assume toda a sua força nesse arquétipo, assim como a intuição. E, já sabemos, não dá mais para desprezar essas competências nestes novos tempos.

(extraído do meu livro AUTOLIDERANÇA – UMA JORNADA ESPIRITUAL)

Que a força do feminino – do arquétipo ANIMA -, ajude-nos a todos nós, homens e mulheres, a cultivarmos relacionamentos saudáveis e a construirmos melhores organizações e um mundo mais justo e fraterno!

Robson Santarém: Consultor em Gestão de Pessoas, Coach, Palestrante, Sócio-Diretor da Anima Consultoria para Evolução Humana. Autor dos livros PRECISA-SE (de) SER HUMANO – VALORES HUMANOS: EDUCAÇÃO & GESTÃO; AS BEM-AVENTURANÇAS DO LÍDER: A JORNADA DO HERÓI; A PERFEITA ALEGRIA – FRANCISCO DE ASSIS PARA LÍDERES E GESTORES (todos publicados pela Ed. Vozes) e AUTOLIDERANÇA – UMA JORNADA ESPIRITUAL (Ed. Senac Rio) https://www.facebook.com/animahconsultoria/

 

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